Seguros por danos causados por manifestações sociais crescem 100%

16/09/2013

Crescimento ocorre após onda de indignação que invadiu o país

Os protestos que varreram o país nos últimos meses provocaram uma corrida às corretoras de seguro em busca da proteção contra danos relacionados às manifestações sociais. A cobertura bastante específica, e até então pouco procurada, da noite para o dia se tornou espécie de bola da vez e chegou a registrar crescimento de 100% nos últimos três meses. O impulso da demanda foi motivado pelos prejuízos acumulados por lojistas durante os protestos que tomaram as ruas, principalmente em junho.

Com o aquecimento da procura e o agravamento do risco provocado pela possibilidade de novas manifestações, o preço da proteção contra tumultos também cresceu, encarecendo em mais de 50%. Antes da onda de protestos, o peso da cláusula no valor total da apólice não chegava a 10%. Especialista no setor e diretor da Positivo Seguros, Gustavo Bentes, explica que a cláusula contra tumultos, greves e lock outs (atos de empregados) pode ser adicionada ao pacote básico, aquele que protege a empresa contra incêndios, raios ou explosões. O mesmo vale para outras modalidades de proteção extra, como a quebra de vidros.

“Para ter um contrato bem dimensionado, o consumidor deve procurar uma ajuda especializada. Assim terá uma apólice adequada a sua real necessidade”, alerta. Segundo Bentes, as nuances do mercado são muitas e a oferta é abrangente. “Por isso, a necessidade de um especialista que vai adequar o contrato à demanda do consumidor. Existem seguros, por exemplo, que não cobrem a quebra de vidros em caso de vandalismos, outros já incluem a proteção”, aponta. De acordo ele, no momento de assinar o contrato é preciso ter cuidado para adicionar o que de fato é necessário e entender quais são as exclusões previstas nas coberturas, assim como dimensionar o capital segurado à realidade da empresa.

Marco Antônio Gaspar, vice-presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) para micro e pequenas empresas, recomenda a proteção, mas diz que são poucos os empresários que hoje contam com o serviço, o que expõe o negócio em caso de acontecimentos não planejados. “É fato que o seguro ficou mais caro com a inclusão de franquias, por exemplo. No entanto, muitos empresários deixam de contratar pela cultura e não pelo preço.” Segundo o executivo, para o comércio a proteção é necessária. “É comum o empresário contratar seguro para o seu carro, mas não proteger sua empresa, que pode ter patrimônio superior a R$ 500 mil” afirma. No país, o seguro empresarial arrecadou R$ 977 milhões entre janeiro a junho.

Em Minas, no mesmo período, o segmento movimentou R$ 61,5 milhões, alta de 21% frente a 2012, segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep).Presidente da Solution Gestão de Seguros e Riscos, Sérgio Frade diz que a demanda pelo produto contra depredações cresceu especialmente entre hotéis, concessionárias, agências bancárias e também lojistas de maior porte, especialmente aqueles em localizações de alto risco. Ele explica que a cláusula pode assegurar também lojistas contra ações de vandalismo em espaços fechados, como os shopping centers. “O valor pode variar muito. Vai depender da análise do risco ao qual a empresa está exposta”(veja simulação). O especialista cita ainda que as coberturas adicionais podem abranger danos elétricos, vendaval, alagamento, roubo, furto, perda de pagamento de aluguel, impacto de veículos terrestres e aéreos e desmoronamento.

Ajustes

A proteção básica pode ser ajustada com coberturas agregadas e elevação dos limites de cobertura. O especialista em seguros Eduardo Silvestre aponta que os maiores contratantes para a proteção empresarial ainda são os negócios de grande porte. Apesar de a proteção ser recomendada por associações de lojistas, o seguro empresarial ainda tem grande espaço para crescer. Pesquisas do mercado apontam que na Grande BH o percentual de empresas que contrata o pacote básico de proteção, que inclui o seguro contra incêndios, raio e explosões, não ultrapassa 30%.

Os recentes protestos que deixaram um rastro de destruição especialmente para o comércio situado nos corredores alvo das aglomerações levou o mercado segurador a um reposicionamento quanto ao modelo de proteção. “Muitas seguradoras passaram a avaliar a inclusão do produto em seu portifólio, outras pelo contrário desistiram de oferecer a proteção. Empresas que já trabalhavam com o produto Precisaram adequar os custos à nova realidade de riscos”, aponta Bentes.